
O deputado estadual Wilson Santos (PSD) conduziu durante a 3ª Expedição Fluvial de fiscalização, nesta segunda-feira (9), um encontro com moradores e pescadores da comunidade Padilha, em Chapada dos Guimarães, que fica localizada próximo ao Rio Manso, que se encontra com o Rio Cuiabazinho para formar o Rio Cuiabá. A reunião ocorreu após a comitiva percorrer cerca de 28 quilômetros pelo rio, saindo do Rancho do Mano até a comunidade ribeirinha.
A iniciativa tem como objetivo observar de perto as condições ambientais do rio, ouvir as comunidades ribeirinhas e reunir informações, denúncias, sugestões e reclamações sobre os problemas enfrentados pelos moradores. Durante o encontro, o parlamentar pediu que os presentes apontassem as dificuldades vividas na região.
“A proposta desta expedição é olhar o rio com os nossos próprios olhos e com o coração, ouvir quem vive aqui e levar essas informações às autoridades. Precisamos cuidar das nascentes e dos rios que formam o Pantanal, porque é daqui das regiões mais altas que vêm as águas que abastecem a planície pantaneira”, destacou o deputado.
Wilson Santos também voltou a se posicionar contra projetos de instalação de novas hidrelétricas no Rio Cuiabá. Segundo ele, estudos técnicos indicam que a bacia hidrográfica do rio não é adequada para esse tipo de empreendimento. Ele salientou que análises da Agência Nacional de Águas (ANA), classificam a região como área sensível para barramentos - estando em zona vermelha.
“Mato Grosso já produz e exporta mais energia do que consome. Não precisamos de hidrelétricas no Rio Cuiabá. Temos um enorme potencial para energia solar que é mais barata e muito menos agressiva ao meio ambiente”, afirmou o deputado.
Durante a reunião, moradores relataram preocupações com a diminuição da quantidade de peixes no rio. Segundo pescadores da região, a atividade pesqueira tem enfrentado queda significativa nos últimos anos, principalmente devido a Lei do Transporte Zero que está vigente há dois anos, em Mato Grosso. Também tiveram reclamações sobre mudanças no curso do rio, desaparecimento de áreas de areia que antes formavam praias naturais e a presença de peixes com odor incomum.
Outro ponto abordado pela comunidade foi a forma de abordagem realizada em algumas fiscalizações ambientais. Logo, representantes da Polícia Militar Ambiental esclareceram que a atuação da corporação busca garantir o cumprimento da legislação e reforçaram que a população pode registrar denúncias ou reclamações por meio da ouvidoria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), cujo contato é o 65 98153-0255.
A presidente da Associação de Pequenos Produtores Rurais da comunidade Padilha, Euvina Rainha da Silva, destacou a importância da visita da comitiva para levar informações à população e ouvir as demandas locais. Ela também agradeceu ao deputado pelas ações destinadas à comunidade, incluindo emendas parlamentares que resultaram na entrega de equipamentos para agricultura familiar e projetos voltados à energia solar.
Segundo o morador e pescador Adilson Mariano, conhecido por Magrão, a presença da expedição representa uma oportunidade para que os moradores sejam ouvidos. “É importante trazer conhecimento para a comunidade sobre o que pode acontecer com o rio. Nós vivemos da pesca e precisamos entender o que está em jogo”, disse.
Durante o trajeto entre o Rancho do Mano e a comunidade Padilha, Wilson Santos informou ainda que foram identificados aproximadamente 130 tablados ao longo dos 28 quilômetros percorridos pelo rio, estruturas que também serão avaliadas no relatório final da expedição.
Além de Chapada dos Guimarães, a expedição fluvial seguirá pelos municípios de Rosário Oeste, Nobres, Santo Antônio de Leverger, Acorizal, Cuiabá, Várzea Grande, Barão de Melgaço e Poconé. A iniciativa será concluída no dia 13 de março, após uma série de visitas às comunidades ribeirinhas, fiscalização ambiental e diálogo direto com a população que depende do rio Cuiabá.
A comitiva da expedição é formada por representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema), da Marinha do Brasil – por meio da Capitania Fluvial de Mato Grosso, do Batalhão da Polícia Militar de Proteção Ambiental, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá e da Associação do Segmento da Pesca de Mato Grosso (ASP-MT).
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