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Capacitação promove uso seguro do desfibrilador em academias

Aparelho automático é exigido por lei paulistana em locais com grande circulação de pessoas, assim como profissionais treinados para operá-lo. Carl...

29/04/2026 às 12h32
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Imagem de Freepik/rawpixel.com
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O desfibrilador externo automático (DEA) é um aparelho eletrônico portátil, composto por bateria, capacitor e computador. O equipamento é capaz de reconhecer a fibrilação ventricular e a taquicardia ventricular — arritmias mais comuns no início da parada cardiorrespiratória (PCR) — e aplicar o choque necessário para restaurar o ritmo cardíaco da vítima, segundo a Resolução do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) nº 704, de 2022.

Os DEAs devem estar presentes em ambientes com grande circulação de pessoas, como shoppings, aeroportos e academias, para possibilitar atendimento rápido em casos de emergências cardíacas, segundo legislações estaduais e municipais, como a de São Paulo. A Lei Municipal nº 13.945 estabelece que locais com concentração acima de mil pessoas mantenham os equipamentos disponíveis e capacitem funcionários para operá-los:

"Art. 1º Os aeroportos, shopping centers, centros empresariais, estádios de futebol, hotéis, hipermercados e supermercados, casas de espetáculos e locais de trabalho com concentração acima de 1.000 (mil) pessoas ou circulação média diária de 3.000 (três mil) ou mais pessoas, os clubes e academias com mais de 1.000 (mil) sócios, as instituições financeiras e de ensino, os parques, velórios e cemitérios, com concentração ou circulação média diária de 1.500 (mil e quinhentas) ou mais pessoas, ficam obrigados a manter, em suas dependências, aparelho desfibrilador externo automático. (Redação dada pela Lei nº 15.283/2010)".

Carlos Rodrigues, enfermeiro especializado em atendimento de emergência e proprietário da 22Brasil Socorristas - Formação de Profissionais de Resgate e Socorro, acrescenta que a legislação paulistana determina um fluxo que permita a disponibilidade ao paciente em até cinco minutos após constatado o evento.

"Na prática, isso significa que academias de grande porte devem não apenas possuir o DEA, mas garantir um fluxo eficiente para que o equipamento chegue até a vítima em tempo oportuno. A presença do aparelho no local transforma um cenário potencialmente fatal em uma situação com possibilidade real de reversão", observa o profissional.

Segundo o especialista, a PCR é uma emergência súbita, frequentemente causada por arritmias graves como a fibrilação ventricular, e locais com grande circulação de pessoas — como academias — aumentam a probabilidade de ocorrência do evento.

"As academias são ambientes em que há esforço físico intenso, o que pode desencadear eventos cardíacos em indivíduos com doenças ainda não diagnosticadas. Nestes casos, o único tratamento efetivo nos primeiros minutos é a desfibrilação precoce", explica Rodrigues.

De acordo com o enfermeiro, em uma situação de emergência dentro de uma academia, o passo a passo ideal de atendimento até a chegada do socorro especializado começa pelo reconhecimento da emergência, observando se a vítima está inconsciente e sem respiração normal. "Em seguida, é preciso acionar ajuda imediatamente, ligando para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) 192 e solicitando o desfibrilador disponível no local".

Rodrigues ressalta que o atendimento deve seguir um protocolo claro e objetivo, iniciando a reanimação cardiopulmonar com compressões torácicas fortes e rápidas entre 100 e 120 por minuto, com profundidade de 5 a 6 cm.

"O DEA é acionado conforme as instruções de voz e o choque aplicado, se indicado, com as compressões retomadas imediatamente após o choque ou caso ele não seja necessário, mantendo o atendimento até a chegada do socorro especializado ou o retorno dos sinais vitais", instrui o especialista.

O profissional enfatiza que, em casos de parada cardiorrespiratória, o tempo é um fator crítico, pois a cada minuto sem desfibrilação a chance de sobrevivência da vítima reduz entre 7% e 10%. Ele complementa que, após cerca de 4 a 6 minutos, já existe risco significativo de lesão cerebral irreversível devido à falta de oxigenação.

"Por isso, a chamada cadeia de sobrevivência evidencia o reconhecimento imediato da PCR, o início precoce das compressões torácicas e a desfibrilação rápida, idealmente nos primeiros 3 a 5 minutos. Ter um DEA disponível no local reduz drasticamente o tempo de resposta e pode aumentar aproximadamente 85% as chances de sobrevivência", reforça Rodrigues.

Outras responsabilidades do estabelecimento

Conforme lembra o enfermeiro, os estabelecimentos possuem outras responsabilidades contínuas, além da disponibilidade do equipamento, como a manutenção preventiva regular, a verificação periódica de validade e integridade da bateria e dos eletrodos, a sinalização adequada indicando a localização do equipamento e o registro e controle das inspeções realizadas.

"Além disso, é obrigatório que haja colaboradores treinados em reanimação cardiopulmonar (RCP) e no uso do DEA, garantindo que o equipamento seja utilizado de forma correta, segura e sem atrasos. A ausência de treinamento compromete diretamente a eficácia do atendimento e pode reduzir drasticamente as chances de sobrevivência da vítima", alerta o profissional.

A 22Brasil Socorristas certifica academias com o "Selo de Academia Segura - Curso de Primeiros Socorros para Academias". O treinamento é focado na realidade do dia a dia das academias, em condições como traumas, quedas, síncopes e utilização adequada do DEA.

A legislação de São Paulo institui que os estabelecimentos devem capacitar integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), da Brigada de Incêndio e da Brigada de Emergência, além de mais dois funcionários por turno para cada aparelho disponível. A lei de 2005 também prevê que o descumprimento das obrigações sujeita os responsáveis à aplicação de multa, cujo valor, originalmente de R$ 2 mil, é atualizado anualmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

O proprietário da 22Brasil Socorristas destaca que, embora o DEA seja um equipamento automático e seguro, o fator humano é determinante para o sucesso do atendimento.

"É fundamental que colaboradores sejam treinados para operar o desfibrilador, pois, sem treinamento, é comum ocorrer atraso no atendimento por insegurança ou desconhecimento — e, em parada cardiorrespiratória, cada minuto perdido reduz significativamente as chances de sobrevivência do paciente", pontua Rodrigues.

Para mais informações, basta acessar: 22brasil.net/

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