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App commerce entra na era dos agentes inteligentes

Especialista analisa a evolução do app commerce no Brasil e aponta como a inteligência artificial está redefinindo a relação entre marcas e consumi...

05/06/2026 às 12h35
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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O consumidor brasileiro mudou a forma como avalia experiências digitais. Hoje, aplicativos de diferentes segmentos disputam atenção sob uma mesma régua de comparação, estabelecida por plataformas que se destacam pela conveniência, personalização e facilidade de uso. Nesse cenário, a evolução do "app commerce" no Brasil revela uma transformação que vai além da tecnologia e reflete mudanças profundas no comportamento dos consumidores e na capacidade de adaptação das marcas.

"Hoje em dia, o seu cliente não compara o seu app com o do seu concorrente. Compara com o iFood. E você está perdendo essa comparação", afirma Guilherme Martins, cofundador da Eitri, plataforma para o desenvolvimento de aplicativos móveis. Segundo ele, a experiência digital deixou de ser analisada dentro de categorias específicas e passou a ser medida pelos melhores exemplos do cotidiano digital.

O especialista explica que a trajetória do "app commerce" no Brasil pode ser dividida em quatro gerações:

1) Entre 2009 e 2015

Martins contextualiza que a época foi marcada pelo surgimento dos aplicativos como iniciativas experimentais. Com os smartphones ainda em fase de popularização, muitas empresas viam os apps apenas como extensões de seus sites. Ao mesmo tempo, os consumidores ainda não tinham o hábito de utilizar dispositivos móveis como principal canal de interação e compra.

2) Entre 2016 e 2022

Teve início a segunda geração, caracterizada pela consolidação do aplicativo como produto, segundo Guilherme. "A expansão da conectividade móvel e a popularização dos smartphones impulsionaram o uso de aplicativos que passaram a resolver necessidades cotidianas dos usuários. Nesse período, o mobile deixou de ser complementar e assumiu papel central na jornada do consumidor", explica.

Foi também nessa fase que surgiram os chamados "apps de destino", plataformas que conquistaram espaço permanente na tela inicial dos usuários e passaram a definir os padrões de experiência digital. Diante dessa nova realidade, o varejo adotou plataformas prontas para acelerar sua presença mobile.

"Não foi uma escolha por comodidade, foi uma questão de sobrevivência", explica Martins. Segundo ele, embora o modelo tenha permitido ganho de escala, também reduziu a capacidade de diferenciação das marcas. "Quando todo mundo usa o mesmo template, mais da metade das experiências se torna ruim. Não porque falta esforço, mas porque falta identidade e capacidade de evoluir na velocidade que o consumidor exige", afirma.

3) Entre 2022 e 2025

A terceira geração marcou a transformação do aplicativo em plataforma. Com arquiteturas mais flexíveis e tecnologias baseadas em componentes, as empresas passaram a ter maior autonomia para atualizar e personalizar suas soluções digitais sem a necessidade de reconstruções complexas.

"Nesse contexto, os aplicativos deixaram de atuar apenas como canais de venda e passaram a funcionar como ambientes de relacionamento, oferecendo experiências personalizadas, funcionalidades exclusivas e maior capacidade de adaptação às necessidades dos usuários", diz o especialista.

4) 2025 em diante

Uma quarta geração começa a se consolidar com o avanço da inteligência artificial. Nessa nova etapa, os aplicativos deixam de ser apenas interfaces de interação e passam a atuar como agentes capazes de compreender demandas, tomar decisões e executar tarefas.

"O pedido ‘me mostre opções’ passa a ser ‘resolve isso para mim’", resume Martins. Para ele, a lógica baseada em cliques está sendo substituída por interações conversacionais e, gradualmente, por experiências orientadas à execução.

O especialista destaca que os aplicativos possuem características que ampliam o potencial dessa transformação. Recursos como câmera, voz, localização, biometria e sensores permitem experiências mais contextualizadas e proativas. Com isso, a inteligência artificial deixa de ser apenas uma ferramenta acessada pelo usuário e passa a atuar de forma integrada à experiência digital.

Os impactos já podem ser observados em diferentes segmentos. No setor farmacêutico, por exemplo, processos complexos vêm sendo automatizados dentro dos aplicativos, reduzindo etapas e aumentando a eficiência da jornada do consumidor. Já no varejo de moda, recursos de inteligência visual permitem que consumidores experimentem produtos virtualmente antes da compra, contribuindo para a redução de devoluções e o aumento da confiança na decisão.

De acordo com Martins, a principal mudança está na forma como a tecnologia assume responsabilidades antes atribuídas ao usuário. "No lugar do app transferir complexidade para o usuário, ele passa a oferecer soluções", afirma.

Para o executivo, o histórico do app commerce no Brasil demonstra que, durante muitos anos, o varejo reagiu às mudanças de comportamento dos consumidores apenas depois que novas expectativas já haviam sido estabelecidas. A diferença, segundo ele, é que a inteligência artificial cria condições para inverter essa lógica.

"Existe uma janela real para antecipar demandas em vez de apenas responder a elas. Quem estiver preparado para evoluir com velocidade e autonomia não vai apenas acompanhar essa transformação, mas ajudar a definir os próximos passos do mercado", conclui.

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