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1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde debate integração entre saúde humana, animal e ambiental

Evento reuniu especialistas, gestores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir políticas públicas integradas e elaborar uma...

25/06/2026 às 14h44
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MT
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Foto: MARCOS LOPES/ALMT
Foto: MARCOS LOPES/ALMT

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) abriu, nesta quinta-feira (25), o 1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde, iniciativa promovida pelo Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), em parceria com a Casa de Leis e com apoio do deputado estadual Paulo Araújo (Republicanos). Realizado no Auditório Milton Figueiredo, o encontro reuniu representantes da sociedade civil, universidades, movimentos sociais, gestores públicos, profissionais da saúde, pesquisadores e lideranças comunitárias para discutir estratégias integradas de enfrentamento aos desafios da saúde pública.

Com o tema Uma Só Saúde, o fórum parte do entendimento de que a saúde humana, a saúde animal, a saúde ambiental e a justiça social estão diretamente interligadas. A programação, que segue até às 18 horas, prevê debates sobre o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), doenças negligenciadas, vigilância em saúde, controle de zoonoses, segurança alimentar, mudanças climáticas, vigilância ambiental e participação social.

Como resultado do encontro, será elaborada a Carta do 1º Fórum Mato-Grossense de Uma Só Saúde, documento que reunirá propostas e recomendações destinadas aos gestores públicos e à sociedade civil para fortalecer políticas públicas voltadas à saúde integrada.

O deputado estadual Paulo Araújo destacou que a proposta do fórum é ampliar o olhar sobre a saúde pública, indo além da assistência hospitalar.

“Nós vamos discutir aqui a integralidade do sistema público de saúde em todas as vertentes e em todos os olhares. Não só na doença. Queremos trazer um olhar diferenciado para todas as áreas do sistema público de saúde, não apenas da saúde humana, mas também da saúde animal, das doenças negligenciadas, da vigilância epidemiológica, da vigilância em saúde, da vigilância sanitária e da atenção hospitalar”, afirmou.

Foto: MARCOS LOPES/ALMT
Foto: MARCOS LOPES/ALMT

O presidente do Movimento Nacional das Doenças Negligenciadas (MNDN), João Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, ressaltou que o fórum representa um espaço democrático para fortalecer a cooperação entre diferentes setores, considerando as características ambientais de Mato Grosso.

Segundo ele, a proposta é conscientizar autoridades e a população sobre a necessidade de ações integradas.

“É um espaço democrático que busca fortalecer as políticas públicas, a cooperação e a colaboração entre os setores. Precisamos olhar para a saúde, para o meio ambiente e para todas as pessoas que vivem tanto na zona rural quanto na urbana. A intenção do fórum é conscientizar as pessoas e as autoridades para que haja um trabalho integrado e interinstitucional, melhorando a qualidade de vida da população mato-grossense”.

João Victor explicou que o Movimento atua nacionalmente no enfrentamento de 14 doenças negligenciadas, entre elas hanseníase, leishmaniose, doença de Chagas, arboviroses e doenças parasitárias. Em Mato Grosso, segundo ele, a atuação está concentrada principalmente na hanseníase e na leishmaniose.

Ele destacou que o combate às doenças depende também da preservação ambiental e do controle das zoonoses.

“Se a gente não cuidar do meio ambiente, do acúmulo de lixo, da degradação das árvores e também do abandono dos animais, não vamos conseguir conter doenças como a leishmaniose. Não é possível cuidar da saúde humana sem cuidar da saúde animal e do meio ambiente, porque uma depende da outra”.

O presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso (CRMV-MT), Aruaque Lotufo, afirmou que a atuação preventiva da Medicina Veterinária tem ganhado cada vez mais relevância dentro da abordagem Uma Só Saúde.

Segundo ele, prevenir doenças nos animais reduz o risco de transmissão para os seres humanos e representa uma das estratégias mais modernas adotadas mundialmente.

“Hoje, abordar a saúde dos animais, combatendo e diminuindo o risco de transmissão para o ser humano, é a abordagem mais moderna, aceita e defendida mundialmente. O médico-veterinário ganha uma importância muito grande nessa prevenção e no enfrentamento de doenças que afetam a população”, pontuou Aruaque.

Lotufo alertou que Mato Grosso apresenta elevada incidência de algumas enfermidades.

“Temos uma prevalência muito alta de leishmaniose e já enfrentamos surtos epidêmicos de esporotricose. Precisamos abordar a saúde de forma mais eficiente e planejada, utilizando estudos epidemiológicos. O médico-veterinário tem papel fundamental ao trabalhar estrategicamente para otimizar os recursos públicos e reduzir essas doenças tanto nos seres humanos quanto nos animais”, alertou.

Representando o Ministério da Saúde, o coordenador-geral de Vigilância de Zoonoses e Transmissão Vetorial, Francisco Adilson Ferreira de Lima, destacou que a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente é interdependente.

“As alterações no meio ambiente e na saúde dos animais impactam diretamente a saúde das pessoas. Precisamos nos antecipar e, para isso, é necessário um trabalho intersetorial e interdisciplinar, envolvendo diferentes profissões, diferentes setores e políticas públicas voltadas para prevenir esses riscos”.

Ele ressaltou que a participação da sociedade é indispensável para o sucesso das políticas públicas.

“A sociedade civil são nossos olhos e nossos ouvidos. Ouvi-la e construir soluções conjuntamente é a chave para enfrentar esses desafios”, reforçou Francisco.

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