
No último dia 13 de junho, um sábado histórico, estive em Jauru para um evento que dificilmente sairá da minha memória: a celebração da beatificação do Padre Nazareno Lanciotti. Como assessor, meu papel era registrar, documentar e comunicar. Mas, ao pisar naquele solo e ouvir as histórias que ainda ecoam pelas ruas da cidade, percebi que estava diante de algo que desafia qualquer métrica de engajamento digital. Estava diante de um legado que é a personificação do que chamo de Muito Além do Post.
Padre Nazareno não foi apenas um líder religioso; ele foi o que muitos chamam de o "coronel do bem" em Jauru. Mas não um coronel pelo medo ou pela força bruta, e sim pela presença absoluta. Ele exercia a política em seu estado mais puro: o cuidado com a pólis. Ele não apenas falava sobre justiça; ele lutava bravamente contra a prostituição, o trabalho escravo e os desmandos de posseiros. Ele era o ponto focal de todas as dores e esperanças de uma comunidade que, muitas vezes, não tinha a quem recorrer.
A paróquia e o feed: onde a escuta se torna ação
Muitas vezes, na rotina frenética da assessoria parlamentar, somos tentados a olhar para as redes sociais apenas como uma vitrine de realizações. Mas a história do Padre Nazareno nos força a um olhar mais profundo. Ele nos ensina que a Escuta Ativa é, em si, um ato político transformador.
O Padre não esperava que os problemas fossem resolvidos por decreto; ele ouvia o cidadão na porta da igreja, no dispensário que fundou, ou nas 57 comunidades rurais que criou. Ele traduzia a dor do outro em ação imediata. Hoje, o perfil de um parlamentar nas redes sociais é a "paróquia digital" do nosso tempo. É ali que o cidadão bate à porta, muitas vezes com uma crítica ácida ou um pedido de socorro.
Quando ignoramos um comentário ou respondemos com uma frase automática, estamos fechando a porta da igreja. Quando praticamos a escuta ativa — aquela que busca entender a demanda real por trás da reclamação — estamos honrando o papel de facilitadores da democracia.
A coragem de ser incômodo
O martírio do Padre Nazareno em 2001, assassinado por "incomodar gente poderosa", é um lembrete severo de que a comunicação verdadeira tem um preço. Ele denunciava o tráfico de drogas e a exploração de menores quando o silêncio seria o caminho mais seguro.
Na comunicação política moderna, a nossa "luta" é contra a desinformação e o engajamento vazio. Humanizar um mandato exige a coragem de ser autêntico em um mar de personagens fabricados. Exige a disposição de tratar de temas difíceis com a mesma firmeza com que o Padre Nazareno defendia os pobres de Jauru. A influência real não vem do número de seguidores, mas da credibilidade conquistada ao estar na linha de frente pelas pessoas.
O Extraordinário no cotidiano
Estar naquela cerimônia como assessor foi um momento único, mas estar lá como Rafael foi transformador. Enquanto via a multidão sob o sol forte daquele sábado, unida em uma demonstração de fé que atravessa fronteiras, fui tocado por uma emoção que não estava no roteiro. Recentemente, recebi o diagnóstico de diabetes, uma descoberta que me colocou diante de grandes questionamentos sobre o sentido da vida e a nossa fragilidade. Ali, diante do exemplo de Nazareno, minha própria fé encontrou um novo fôlego. Percebi que a missão dele e a nossa, guardadas as devidas proporções, nascem do mesmo lugar: a coragem de encarar a realidade e transformá-la em serviço.
Muitas vezes, o trabalho do assessor é invisível. Somos nós que preparamos o terreno, que filtramos as dores, que traduzimos a técnica em esperança. O Padre Nazareno nos mostra que esse trabalho invisível é o que sustenta as grandes transformações. Essa mesma visão de serviço é o que move a parceria do Deputado Beto Dois a Um com Jauru. Como católico, o deputado compreende que apoiar um evento dessa magnitude não é apenas destinar recursos, mas preservar uma identidade e honrar um ato que representa muito para o Estado e para o Brasil. É entender que a política, quando bem feita, é um instrumento para potencializar o que há de sagrado na cultura de um povo. Ele não limpava o estádio como os japoneses na Copa, mas limpava a alma de uma cidade combatendo a injustiça.
Conclusão: O "Cachecol" da fé e do serviço
Se no meu artigo anterior falei sobre o cachecol da Colômbia como símbolo de conexão, o legado do Padre Nazareno é o "cachecol" da responsabilidade. Ele nos ensina que a comunicação política deve ser uma ferramenta de hospitalidade social.
Ser social media político, sob a ótica do Método MAP, é entender que cada interação é uma oportunidade de exercer essa hospitalidade. É guiar o cidadão não apenas para um assento no estádio, mas para o seu lugar de direito na sociedade. Que o exemplo de Nazareno Lanciotti nos inspire a ouvir mais, a falar com mais verdade e a lembrar que, no fim do dia, o que fica não é o post que viralizou, mas a vida que foi transformada pelo nosso serviço.
Sobre o autor: Rafael Rosa é estudante de Jornalismo, especialista em Comunicação Eleitoral e Marketing Político e atua na linha de frente da comunicação política, focando em estratégias de humanização, gestão de imagem pública e assessoria parlamentar.



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