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Muito Além do Post: O que a Arena Pantanal me ensinou sobre Comunicação Política (mesmo sem falar inglês)

Como a experiência de recepcionar torcedores de oito países na Copa de 2014 revelou a essência do meu trabalho atual: ser um facilitador entre o cidadão e o poder.

08/06/2026 às 16h30 Atualizada em 08/06/2026 às 16h37
Por: Rafael Rosa
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Arquivo Pessoal
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Eu guardo até hoje um cachecol da Colômbia. Ele não é apenas uma lembrança de um dos maiores eventos esportivos do mundo, mas o troféu de uma das maiores lições de comunicação que já recebi. Em 2014, durante os quatro jogos sediados na Arena Pantanal, em Cuiabá, eu estava lá na linha de frente, recepcionando torcedores que vinham de lugares como Chile, Austrália, Rússia, Japão e Nigéria.

 O detalhe? Eu não falava inglês, muito menos russo ou japonês. Mas eu precisava fazer aquela comunicação funcionar.

A língua universal da entrega

Naquela época, minha "estratégia de sobrevivência" foi estudar as palavras essenciais: para cima, para baixo, banheiro, comida, bebida e, claro, o fundamental Thanks. Eu descobri, na prática, que quando a técnica falha, a atitude e a clareza salvam.

Hoje, no meu dia-a-dia como Social Media Político, percebo que o desafio é o mesmo. Muitas vezes, a política tenta falar uma "língua estranha" para o cidadão, cheia de termos técnicos, jurídicos e burocráticos. Meu papel, assim como na Arena Pantanal, é traduzir esse mundo. O eleitor não quer um discurso complexo, ele quer saber onde está o seu direito, como ele acessa um serviço e o que o deputado está fazendo por ele. A comunicação resolutiva é a nossa língua universal.

Do exemplo silencioso ao barulho que engaja

Lembro-me bem do contraste entre as torcidas. De um lado, os japoneses, que encantaram o Brasil ao recolherem todo o seu lixo antes de sair do estádio. Era uma comunicação pelo exemplo, silenciosa, mas que viralizou em todo o país pela sua força ética. Do outro lado, os chilenos, que ocupavam as ruas e o estádio com o grito ensurdecedor de "Chi-chi-chi, le-le-le". Era a explosão do pertencimento, da paixão pura.

Na gestão de um mandato, lidamos com esses mesmos perfis. Temos o público que observa em silêncio, avaliando a ética e a transparência das nossas ações (como os japoneses), e temos a militância vibrante, que quer participar, gritar e "vestir a camisa" dos projetos (como os chilenos). Um bom estrategista de comunicação precisa saber acolher e falar com ambos, equilibrando a sobriedade do exemplo com a energia do engajamento.

O papel do facilitador: Da arena ao gabinete

Minha missão na Copa era garantir que o torcedor tivesse uma boa experiência, encontrasse seu assento com facilidade e pudesse vibrar com o seu time. Na política, a lógica é a mesma. Eu sou um facilitador. Minha função é garantir que o cidadão tenha facilidade em encontrar as informações que precisa, entenda os caminhos da democracia e, principalmente, sinta que o seu "time" (a população) está vencendo através das políticas públicas.

Lidamos com prefeitos, vereadores e cidadãos comuns. Todos têm interesses que, embora distintos, convergem para um ponto comum: a busca por resultados. Assim como eu guiava um torcedor estrangeiro até sua cadeira na Arena Pantanal, hoje eu guio o eleitor através do emaranhado de informações de um mandato, criando uma comunicação simples, próxima e, acima de tudo, humana.

Muito além do post

Aquele cachecol da Colômbia, que ganhei de um torcedor agradecido, me lembra diariamente que a comunicação só acontece de verdade quando há conexão. O torcedor não me agradeceu pelo meu espanhol (que era inexistente), mas pelo fato de eu ter me esforçado para que ele se sentisse visto e respeitado.

Ser Social Media Político é entender que o nosso trabalho vai muito além de um post bem diagramado ou de um vídeo editado. É sobre ser o voluntário que não deixa ninguém perdido no estádio da democracia. É sobre entender que, no fim do dia, o que as pessoas esperam é verdade, escuta e representatividade.

 

Sobre o autor: Rafael Rosa é estudante de Jornalismo, especialista em Comunicação Eleitoral e Marketing Político e atua na linha de frente da comunicação política, focando em estratégias de humanização, gestão de imagem pública e assessoria parlamentar.

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