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Confiança empresarial cresce com tecnologia e pessoas

Expectativa de aumento de receita chega a 86% no Brasil, enquanto às vésperas das normas S1 e S2, ESG é reavaliado pelas empresas brasileiras.

24/02/2026 às 17h55
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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O empresariado brasileiro encerrou o quarto trimestre de 2025 com o maior nível histórico de expectativa de aumento de receita desde o início da série do International Business Report (IBR), da Grant Thornton. Segundo o levantamento, 86% das empresas no Brasil projetam crescimento de faturamento nos próximos 12 meses, avanço relevante em relação aos 75% registrados no terceiro trimestre de 2025, consolidando um movimento consistente de retomada da confiança ao longo do ano.

O resultado posiciona o Brasil acima da média observada em diversos mercados globais e reforça a resiliência do empresariado nacional, sustentada por fatores como consumo interno, exportações e manutenção do ambiente econômico no curto prazo.

Otimismo econômico avança mesmo em cenário global incerto

O fortalecimento da expectativa de crescimento da receita ocorre em paralelo à alta do otimismo com a economia, que subiu de 64% no terceiro trimestre para 71% no quarto trimestre de 2025. O avanço se dá em um contexto internacional ainda marcado por incertezas geopolíticas, barreiras e tarifas comerciais, ajustes monetários e desaceleração em economias relevantes, evidenciando uma leitura mais positiva do empresariado brasileiro sobre o ambiente doméstico.

Na comparação trimestral, outros indicadores estratégicos também apresentaram evolução. A criação de novos empregos avançou de 77% para 79%, enquanto o investimento em equipamentos passou de 62% para 70%. Já os investimentos em tecnologia atingiram 92%, o maior patamar da série recente, sinalizando uma busca clara por ganhos de eficiência, produtividade e competitividade no médio prazo.

ESG recua no curto prazo, mas entra em fase decisiva em 2026

Apesar do avanço dos indicadores econômicos, o IBR Q4 revela uma redução pontual nos investimentos em ESG, que recuaram de 76% no terceiro trimestre para 72% no quarto trimestre. O movimento ocorre justamente às vésperas de um ano considerado estratégico para a agenda de sustentabilidade corporativa, com a implementação das normas S1 e S2 e o avanço nas negociações do Acordo Mercosul–União Europeia.

Esse dado precisa ser analisado com cautela. A pesquisa foi realizada antes da assinatura do acordo de parceria e acordo comercial provisório entre Mercosul e União Europeia. Quando o acordo entre Mercosul e União Europeia for assinado, o tema ESG tende a se recolocar como prioridade estratégica, especialmente para empresas com foco em exportação, afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil. Segundo ele, o recuo observado no curto prazo pode refletir uma reavaliação tática dos investimentos, e não uma perda estrutural de relevância do tema.

Acordo Mercosul–UE deve reposicionar sustentabilidade como fator de competitividade

Na avaliação de Maranhão, o novo acordo comercial com a União Europeia deve funcionar como um catalisador para a atração de investimentos no desenvolvimento sustentável. A regulamentação europeia impõe condicionantes de acesso ao mercado envolvendo redução de impactos ambientais nas exportações, incentivo a padrões de produção mais limpos e cadeias produtivas mais transparentes. Os fatores ESG passam a ser um diferencial competitivo importante e as empresas que não se adaptarem às novas normas poderão enfrentar barreiras para exportar à UE, explica.

Nesse contexto, temas como rastreabilidade na cadeia de valor, sistema de gestão ambiental, inventário de emissões de GEE, planos de adaptação relacionados às mudanças climáticas, entre outros assuntos relacionados, tendem a ganhar peso crescente nas decisões estratégicas, sobretudo entre empresas exportadoras e cadeias produtivas integradas ao mercado europeu.

Investimento em pessoas ganha força

Outro destaque do IBR Q4 é o avanço expressivo dos investimentos em capacitação de pessoas, que subiram de 71% no terceiro trimestre para 83% no quarto trimestre, um crescimento de 12 pontos percentuais. O movimento ocorre em um cenário de escassez de mão de obra qualificada e aumento da competição por talentos.

Com menos profissionais capacitados no mercado, as organizações passaram a priorizar a retenção por meio da capacitação. Ao investir em qualificação, as empresas buscam ganhar eficiência operacional, sustentar margens e manter competitividade em um ambiente econômico que exige mais especialização, inovação e capacidade de adaptação contínua, observa Maranhão.

Investimentos em tecnologia seguem como prioridade

Os resultados do IBR Q4 2025 reforçam que o investimento em tecnologia e equipamentos permanece como uma prioridade estrutural do empresariado brasileiro. Mesmo em períodos de maior cautela econômica, esse tipo de investimento se mantém relevante, sinalizando que a modernização operacional e o ganho de eficiência já não são vistos como opcionais, mas como requisitos para a competitividade das empresas nos próximos ciclos de crescimento. Na opinião do CEO da Grant Thornton Brasil, a busca por novas tecnologias e equipamentos tem se tornado cada vez mais estratégica na visão de longo prazo das empresas.

2026 será um ponto de inflexão para crescimento

Os dados do IBR Q4 indicam um empresariado brasileiro mais confiante, orientado ao crescimento e atento à eficiência, mas diante de um ponto de inflexão na agenda sustentável.

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