Quarta, 01 de Abril de 2026
21°C 33°C
Cuiabá, MT

Raiva em herbívoros acende alerta em Mato Grosso após confirmação de foco na região

Doença viral grave e sem cura preocupa produtores rurais; INDEA reforça vacinação obrigatória e medidas de controle para evitar novos casos

31/03/2026 às 14h03
Por: Redação Fonte: Raquel Timm Pedrollo
Compartilhe:
Reprodução
Reprodução

A raiva dos herbívoros é uma doença viral grave que afeta o sistema nervoso central e não possui cura, podendo acometer todos os mamíferos, inclusive o ser humano. De evolução rápida e letal, é considerada uma das zoonoses de maior importância em saúde pública, gerando impactos sanitários, sociais e econômicos relevantes. Nesse contexto, o trabalho desenvolvido pelo INDEA é fundamental na prevenção, controle e orientação aos produtores rurais.

A principal forma de transmissão ocorre por meio da mordedura de morcegos hematófagos, especialmente o Desmodus rotundus. Quando infectado, o morcego elimina o vírus pela saliva ao se alimentar de sangue, transmitindo a doença aos animais. Outros mamíferos também podem atuar como fonte de infecção, representando risco tanto para os rebanhos quanto para o ser humano.

Os sinais clínicos da doença apresentam evolução progressiva. Na fase inicial, é comum observar mudança de comportamento, isolamento do rebanho, perda de apetite e salivação intensa, geralmente associada à dificuldade de deglutição, causando a sensação de engasgo. Com a progressão, o animal passa a apresentar incoordenação motora, dificuldade de locomoção, marcha cambaleante, quedas frequentes e paralisia progressiva, principalmente dos membros posteriores. Em estágios mais avançados, pode ocorrer o opistótono, caracterizado pela contração muscular intensa, com a cabeça e o pescoço rigidamente estendidos para trás, indicando comprometimento neurológico grave. Em alguns casos, observa-se a forma furiosa, com sinais de agressividade, tremores musculares e movimentos de pedalagem. A evolução é rápida, levando o animal à morte entre três e sete dias após o início dos sinais clínicos.

Em entrevista, a fiscal de defesa agropecuária do INDEA, Raquel Timm Pedrollo, destaca a importância da atenção dos produtores diante da ocorrência de foco da doença na região. Segundo ela, a notificação imediata e a adoção de medidas preventivas são essenciais para evitar a disseminação da raiva e proteger os rebanhos.

De acordo com a fiscal, em função da confirmação de foco, a vacinação contra a raiva tornou-se obrigatória em propriedades situadas em um raio de até 12 km. Essa estratégia visa estabelecer uma barreira sanitária, reduzindo o risco de novos casos. Animais vacinados pela primeira vez devem receber dose de reforço após 30 dias, com revacinação anual.

Outro ponto importante é que produtores que identificarem histórico de mordedura por morcegos em seus animais devem comunicar imediatamente o INDEA. Essa informação permite a atuação direcionada do serviço veterinário oficial, com ações de vigilância e controle na região.

Além da vacinação, destaca-se o uso da pasta vampiricida no local da lesão causada pela mordedura. Os morcegos hematófagos costumam retornar ao mesmo animal nas noites seguintes para se alimentar. Ao aplicar o produto no local da lesão, o morcego entra em contato com a pasta e a leva para o abrigo, contribuindo para o controle da população, já que o produto atua de forma indireta nos demais indivíduos do grupo.

A fiscal enfatiza que o melhor horário para aplicação da pasta vampiricida é no período do anoitecer. Durante o dia, o calor e a incidência solar podem fazer com que o produto derreta, reduzindo sua fixação na lesão e comprometendo sua eficácia. A aplicação no final da tarde ou à noite aumenta a permanência do produto e a chance de contato com o morcego.

Diante de suspeitas da doença, o produtor deve evitar qualquer contato direto com o animal, especialmente com a boca, devido à presença do vírus na saliva. Também não se deve tentar capturar morcegos, sendo essa uma atividade exclusiva de equipes treinadas do INDEA, respeitando a legislação ambiental vigente, já que esses animais são protegidos por lei.

O controle da raiva dos herbívoros depende da atuação conjunta entre o serviço veterinário oficial e os produtores rurais. A vacinação adequada, a notificação imediata de casos suspeitos, a comunicação da presença de morcegos e a adoção correta das medidas de controle são fundamentais para proteger os rebanhos, preservar a saúde pública e manter o status sanitário da região.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Cuiabá, MT
25°
Tempo nublado

Mín. 21° Máx. 33°

26° Sensação
2.57km/h Vento
94% Umidade
22% (0.13mm) Chance de chuva
06h49 Nascer do sol
18h46 Pôr do sol
Qui 34° 21°
Sex 34° 22°
Sáb 34° 22°
Dom 32° 22°
Seg 35° 22°
Atualizado às 02h01
Economia
Dólar
R$ 5,19 +0,31%
Euro
R$ 6,00 +0,29%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 379,881,65 +1,60%
Ibovespa
187,461,84 pts 2.71%